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marcador_posts3 30/07/2008 – Rio de Janeiro

A ansiedade tomava conta dos fãs brasileiros, principalmente dos cariocas. O Muse havia desembarcado no Rio de Janeiro na tarde domingo, e alguns fãs estavam lá para recepcionar a banda. Nos outros dois dias que se seguiram antes do show, o assédio continuou e foi uma loucura para descobrir o hotel em que eles estavam, para poder tirar fotos e pegar autógrafos. Felizmente, muitos tiveram a sorte grande de encontrar com pelo menos um dos integrantes do Muse. Chris Wostenholme foi o arroz de festa dos fãs.

A quarta-feira, 30 de julho, começou cedo para os musers, que, desde as 9 horas da manhã, estavam acampados em frente ao local do show, o Vivo Rio. Até lista de ordem de quem estava na fila rolou. Ao contrário do que foi publicado na Internet, as tais “pulseirinhas vips” não foram distribuídas pela produção da Mondo ou Warner. Uma fã britânica enviou milhares de pulseiras para a equipe do site Muse Brasil, e as duas fundadoras do site, Ivne e Isabelle, encarregaram-se de distribui-las para os fãs presentes. O pré-show não parou: papéis sendo picotados e cartazes sendo feitos pedindo as músicas favoritas.

Após ter desrespeitado seu tempo de show, Jay Vaquer foi interrompido pelo técnico de som principal do Muse, deixando o espaço aberto para a primeira apresentação da tão aguardada turnê desta banda no Brasil. Começa a música de introdução, Dance of the Knights, de Prokofiev. A banda entra no palco, iniciando o show com Knights of Cydonia. Observar uma apresentação dessas da grade, cara a cara com o vocalista Matt Bellamy, não tem preço. O seu queixo cai logo na primeira nota. Matt estava inquieto com sua guitarra. Só ficava parado na hora em que tinha que cantar, pois rodava e pulava loucamente quando não tinha. A acústica da casa não ajudou muito e foi difícil ouvir bem os instrumentos, mas nada que tirasse a graça da banda. A música Dead Star foi a primeira surpresa da noite. Os novos arranjos ficaram incríveis e foi um momento especial para aqueles que conhecem todo o repertório do Muse. A surpresa seguinte foi a aparição da primeira faixa do disco Showbiz, Sunburn, que teve direito a dedicatória ao público da grade.

Quando Matt Bellamy sentou-se no piano e iniciou diversas brincadeiras com o baterista Dominic Howard, o clima já estava feito para que os fãs se esbaldassem com a chuva dos papéis que foram picados na fila que se seguiu durante a execução de Feeling Good. O primeiro bloco contou ainda com os hits Supermassive Black Hole, New Born e Time Is Running Out.

Ao voltar para o bis, Dominic pegou um dos chapéus atirados ao palco pela equipe do MuseBrasil.com e disse “yes, we love you Rio”. Deleite geral. Quando a banda executava o último minuto de Plug In Baby, a produção da banda jogou balões ao público, e quase ninguém prestou atenção no encerramento da canção. O show se encerrou com a épica Take A Bow e a certeza de que, definitivamente, um show só não era o bastante.

 

marcador_posts3 31/07/2008 – São Paulo

Shows de rock sempre são recheados de distorções, solos, vocalistas carismáticos e fica sempre aquela sensação de “uau, que apresentação incrível!”. Pelo menos, é o que podemos esperar da maioria das bandas de rock que existem no Brasil e no mundo: atitude e energia de sobra em espetáculos que não ficam somente nas músicas, mas em elementos visuais e cenográficos. O Muse, com toda aquela estrutura assombrosa da turnê do HAARP, desembarcou para três apresentações no país no fim de Julho e muito se perguntava sobre como seriam os shows, já que a banda não trouxe todas as tecnologias modernas que usam e abusam nas apresentações européias.

Matt Bellamy, vocalista e guitarrista do grupo, pode ser pequeno na altura, mas é um gigante no palco. Todos os elementos necessários para um show de rock inesquecível estão concentrados no talento do líder do Muse. Com poucas (ou nenhumas) palavras, ele provou que a banda não precisa de palcos enormes para mostrar o poder de fogo de suas músicas. Dominic Howard, o baterista, foi o responsável pela comunicação com a platéia. Se, no show do Rio, as brincadeiras entre os dois músicos eram visíveis, no segundo e melhor show (nas palavras do baixista Chris Wostenholme) da turnê, eles se mostraram mais concentrados e mandaram clássicos do segundo disco, para o delírio dos fãs.

O dia 31 de Julho de 2008 pode entrar para a história como o dia em que o Brasil viu um dos shows mais energéticos do rock mundial atual. Existem bandas melhores que o Muse? Sim. Existe show melhor que o do Muse? Definitivamente, não. Raramente uma banda consegue mexer com as emoções do público dessa maneira. Um show de encher os olhos e ficar boquiaberto com cada nota tocada. Matt Bellamy conseguiu prender a atenção dos paulistas, com seu set de músicas novas e antigas. Não houve espaço para reclamações, tanto da crítica especializada quanto dos fãs de música em geral.

A segunda noite de apresentação dos britânicos se iniciou com a épica Knights Of Cydonia, seguindo de Hysteria e logo depois, a primeira surpresa do show: Bliss. A música surpreendeu todos os fãs, que nem ligaram para a ausência de Dead Star, que marcou presença na apresentação carioca. Outra novidade foi Citizen Erased, considerada, por 8 entre 10 fãs, como a melhor música do Muse. Outro destaque do show foi o momento em que a banda ensaiou tocar a música Falling Away With You, que nunca foi executada ao vivo antes, mas que acabou ficando só nas primeiras notas.

Para todos aqueles que estavam presentes no HSBC Brasil, aquela noite de quinta-feira se tornou inesquecível. O sorriso estampado no rosto de cada pessoa mostrava que o alto valor do ingresso valeu cada centavo.

 

marcador_posts3 02/08/2008 – Brasília

A capital do país não tem muito costume em receber grandes bandas internacionais e acaba sendo deixada de lado do roteiro delas. Mas a insistência e boa vontade do produtor Raul Sá, responsável pelo evento Porão do Rock (que completou 20 anos em 2008), trouxe ao Brasil as bandas Suicidal Tendencies e Muse. Vale dizer que se não fosse pela força de vontade e fé no público brasiliense, esta não teria desembarcado no país. Sem saber, Raul fez a alegria de várias pessoas e por isso, provavelmente, será sempre agradecido.

Tocando na segunda noite do evento e logo depois da baiana Pitty, o Muse aproveitou as condições enormes do Porão e levou o público ao delírio com o som, que, pela primeira vez na turnê brasileira, não teve problemas, e todos os instrumentos estavam altos e audíveis, ao contrário do que aconteceu no Rio de Janeiro e em São Paulo.

De diferente, pode-se dizer que o público, por ser de festival, estava lotado de curiosos e pessoas que não conheciam a banda, além dos fãs das outras bandas que se apresentaram no evento, como a interessante Supergalo, banda com integrantes do Raimundos e Rumbora. Mesmo assim o público não decepcionou, e cantou alto hits como Time Is Running Out e Plug In Baby (que não dispensou os balões das apresentações européias).

O preço vantajoso acabou atraindo o público de outras capitais, que foi para conferir o show do Muse e os fãs locais. O repertório trouxe apenas uma novidade inesperada, Fury, um dos b-sides mais legais dos caras, e que possivelmente tirou lágrimas dos olhos dos fãs mais fiéis.

O último show do Muse no Brasil deixou um gosto de quero mais e segundo palavras do produtor da Warner Music, Paulo Monte, eles voltarão em breve. Até lá, vamos aguardar pacientemente.

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