ARTIGOS > VISIONS Magazine (10/2003)
Tradução inglês-português por Isabelle Brasil
Um breve jogo com nossos rockers favoritos. Funciona da seguinte forma: Na nossa frente há um chapéu com várias perguntas e frases não terminadas escritas em pedaços de papel pequenos. Cada participante tem de pegar um pedaço de papel aleatoriamente e então responder a pergunta ou terminar a frase para os outros dois membros da banda (como se a respostas fossem deles). Muito interessante o que pode ser revelado nesse jogo.
Matt (pega o papel): “Meu maior sonho de consumo material”. Para o Dom, seria uma pipa, e para o Chris, seria um lindo barco de pesca que fica depois de Plymouth.
Dom: A gente tem que saber essas coisas…(pega o papel) ”Houve um certo dia em que eu pensei em sair do Muse, e esse dia foi…”
Matt: (morre de rir)
Chris: Ai, droga. Essa é difícil.
Dom: Apontar um dia específico é complicado, mas houve momentos em que Matthew já não agüentava mais. Foi um tempo depois do lançamento do Origin of Symmetry, que a gente farreava a noite inteira e depois tinha que dar umas 8 ou 10 entrevistas no dia seguinte. Para o Chris, eu diria toda a vez que ele tem um filho. E isso acontece o tempo inteiro. Ele vive se perguntando…”Como consigo conciliar tudo isso com tão pouco tempo?” “E a minha família?” “E eu?”
Matt: Bom, eu nunca quis sair do Muse, mas não queria mais o estilo de vida que tínhamos. As vezes tudo isso é demais para mim.
Chris (pega o papel): “O que me deixam triste é…” Nossa, como posso completar isso?!
Matt: Pensa na nossa última entrevista. Nos fizeram essa pergunta.
Chris: Verdade. Mas você acha que eu vou lembrar o que você disse? Bom, não somos diferentes de ninguém quando o assunto é: coisas que você faz/fez e que não sabe mais se é bom ou ruim. Eu me lembro do momento em que estávamos na metade da gravação e achávamos que estava tudo uma merda. Não conseguíamos ver nenhuma coisa boa no que havíamos produzido. Essa falta de autoconfiança é muito triste.
Matt (pega o papel): “Coisas simples que amo. Exemplo…” Para o Chris: filhos. Para o Dom: “Olha, um peixe!” (risada enlouquecida).
VISIONS: Q?
Matt: Dom ama pescar, mas somente pescar. Quando ele consegue pegar alguma coisa, ele só diz “Olha, um peixe!” e o joga de volta na água. Ele já fez campanha em defesa dos direitos dos animais. Ele também gosta de observar patos.
Dom (pega o papel): “O que eu gosto mais nos outros dois…” Para Matt seria s piadas engraçadas que conto de vez enquando.
Chris: Dom sabe ser, quando ele quer, um David Brandon da vida. Um completo comediante.
Dom: Acho que o que o Chris gosta em mim é a minha tranqüilidade. Acho que ele gostaria de levar uma vida tranqüila como eu levo.
Chris (pega o papel): “Quando a gente discute, sou eu que…” Essa é fácil. Para Matthew, eu diria que ele é bem convincente. Ele ganha quase todas as discussões porque ele fala o máximo que pode até conseguir fazer a gente aceitar que ele é quem está certo. E o Dom não discute. Ele é o tipo de cara que…que…qual é a palavra certa?
Dom: Passivo? (risos)
Chris: Não, deixa. Dom acha que discutir é perda de tempo. Ele evita discussões sempre que pode. Matt é o tipo de pessoa que gosta de um confronto.
(enquanto isso, Matt já leu todos os papéis do chapéu, selecionou os que gostou e deixou do lado dele)
Matt: “Meus três álbuns que levaria para uma ilha deserta são…” Para o Chris: Pet Sounds do Beach Boys, Aftertaste do Helmet, e In Utero do Nivana. Para o Dom: todos os álbuns do Box Car Racer, todos do Blink 182 e o mais recente do Sun 41. (risada enlouquecida).
VISIONS: Você não está falando sério, está?
Dom: O que ele quer dizer é que ele não gosta do fato de eu gostar de Punkrock, o que é verdade, além de outras 2000 bandas que eu gosto.
Matt: Sério, e você ouve outra coisa? O que? Qual foi a última vez que você ouviu algo diferente? 1997?
Dom: Vai se ferrar. Eu não te encho o saco com essas coisas clássicas que você ouve.
(Dom pega o próximo papel do bolo de papéis do Matthew, que mostra o dedo p/ ele)
Dom: “Minha grande paixão”. Para o Chris: Música e família. Para o Matt…as unhas da mão. Caso contrário ele não as roeria o tempo inteiro.
Matt: Palhaço. Estou tentando parar com isso.
Dom: Aham, sei. Desde quando? 1997? Ok, sério. A guitarra e a namorada dele. E o piano dele, que fica entre esses dois.
Chris (pega o papel): “Quando eu tiver 35 anos, vou estar…” Meu deus, nunca pensei sobre isso.
Dom: Ai, deus, agora ele vai pensar…Isso não vai dar certo, Chris. (risos)
Chris: Para o Matt essa é fácil. Ele quer uma casa grande com um estúdio, pelo menos três filhos e lançar um álbum de vez enquando. Para o Dom, quando ele for maduro assim, o que é bem improvável de acontecer, talvez queira o mesmo. No momento eu sei que ele quer é dirigir carros caros com uma garota nova no banco do carona todas as noites, e convites para todas as festas nesse planeta.
Dom: O que há de errado com isso? Nada disso importa mesmo. Tudo o que eu espero é que alguém ainda queira fazer música comigo quando eu tiver 35 anos. O resto não importa.
Matt (pega o papel): “O sexo perfeito…” No sentido de SEXO mesmo? Fazer amor?
VISIONS: Sim.
Matt: Ok. Para o Chris é bem simples. Seria num sofá bem sexy e confortável, com bebidas e uns tira-gostos perto dele. Melhor que isso só se for durante um pausa comercial de “Quem Quer Ser Um Milionário”, com as crianças dormindo…pelo menos uma vez na vida.
Chris (rindo enlouquecidamente, quase caindo da cadeira): Quando você tem uma família, você começa a pensar em outras coisas além de sexo.
Matt: Para o Dom seria no carro dele. Melhor ainda se a garota estiver em cima dele e de costas para ele. (risos)
VISIONS: Muito obrigado! Foi muito interessante.
Dom: É. Bem informativo para todos.
