bolinha ARTIGOS > NME (08/2008)

Tradução por Ivne Souza

 

Muse fecha o espetáculo de sua turnê de dois anos do álbum Black Holes And Revelations no ‘V’ esse final de semana, mas antes disso, Matt Bellamy nos atualiza sobre as fotos de suas “férias” na América do Sul

Mesmo em seu mundo da obsessão astrológica por discos voadores e magia marciana, parece que se passaram anos-luz desde que Supermassive Black Hole chegou a nossos ouvidos pela primeira vez. Mas isso é porque (quase) se passaram mesmo. Vinte e sete meses, para ser exato, desde que a fase quatro – começar com aquele single – decolou. Ainda assim, o perdoaríamos por pensar que o trio de Teignmouth encerrou mais enfaticamente o espetáculo da era Black Holes and Revelations com o duplo nocaute do Wembley, no verão passado. Matt Bellamy, o capitão de uma nave estelar em um estádio, deixou 80,000 pessoas boquiabertas, contemplando-o, com ‘rainhas do céu’ fazendo malabarismo sobre sua cabeça, enquanto holofotes procuravam algum sinal de “mosh” em Marte, como com a música knights of Cydonia, que fez perfurar buracos em sua crosta. Se parece mais com uma cerimônia de encerramento das Olimpíadas do que com um show. Vitória assegurada, capítulo encerrado.

Mas calma! O ‘V’ Festival desse final de semana será a terceira vez que o Muse será a atração principal do verão no Reino Unido, depois de levar seu show apocalíptico mundo afora, como, por exemplo, em Dubai, África do Sul, Indonésia, Coréia do Sul, Latvia, e Ucrânia – Acaba mesmo tudo aqui.

Clique para ampliarA NME conseguiu entrar no acampamento museístico semana passada para falar sobre fãs histéricos, segurança armada, cocos, Arcade Fire com o fogo que incendiou a recepção da banda na Argentina, Chile, Colômbia e Brasil. Vejam as histórias do Matt e fotos de um amigo da banda nas próximas páginas. Se elas não abrirem seu apetite pelo ‘headline’ da banda esse final de semana, então, francamente, nada irá.

A maioria das bandas se mandaria ao sentir o cheiro de um roadie, depois de tanta turnê. Com Muse? Sem chances de isso acontecer! Apesar do fato de estarem há mais de dois anos atravessando fronteiras pelo mundo.

“Nosso empresário estava dizendo que temos que ter cuidado.” Matthew Bellamy dá um sorriso brilhante, porém com aparência de cansado. “Mas estamos felizes simplesmente por continuar…”

E por que não? Ser a banda ao vivo mais explosiva do planeta pode ser (uma droga) viciante. Pular de pára-quedas, praticar Parkour, Rugby submerso, ou fazer qualquer coisa depois do Wembley provavelmente não seria natural e muito menos tão emocionante.

Os shows do V Festival estão com surpresas garantidas. Na semana passada, o mp3 da parceria secreta entre a banda e Mike Skinner do The Streets (Who knows Who) se espalhou rapidamente pela Internet, deixando no ar rumores de que os companheiros tocarão juntos ao vivo. Porém, no momento Matt Bellamy está de lábios seladas. Tenho certeza que ficaríamos felizes em fazer isso, na verdade nós conversamos sobre o assunto. Veremos. Acho que ele (Mike) deve esperar para ver a reação das pessoas. Se as pessoas gostarem, talvez ele venha tocar. Mas ele deve ter outros shows agendados…
Consulta rápida no Myspace: sem shows do The Streets agendados.

Porém, com Mike Skinner ou sem Mike Skinner, vai haver – como sempre com o Muse – choques. “Nós não vamos tocar tudo só do Black Holes, talvez abriremos com músicas antigas. Bellamy insiste. Coisas que os fãs ‘hardcore’ têm pedido há muito tempo. Com certeza o setlist será diferente do que temos feito.” Não se engane, esses shows não são o Wembley Parte II reaquecidos.

“Estamos tentando conseguir um OVNI para o V, mas o Health and Safety (Organização das condições de trabalho, no Brasil) está arruinando tudo, como sempre. Não sei se o V está preparado para o que estamos trazendo. Nós basicamente reformulamos o palco inteiro e estamos trazendo várias coisas que nem estão no palco, e sim pelo público. Acho que a reação inicial deles foi ‘Não, isso é um festival, não vai funcionar’, mas vamos fazer funcionar.”

Porém, uma coisa que você não verá é material novo – mesmo que eles já estejam conspirando o álbum número cinco.

“Quanto banda, já começamos a seguir em frente, temos escrito várias músicas”, Bellamy revela. “Nós excluímos a opção de tocá-las ao vivo devido à experiências passadas, algumas de nossas favoritas – como Fury que deveria ter estado no terceiro álbum – que passamos a odiar quando o álbum ficou pronto.”

Após o V Festival, eles terão duas semanas para se recuperar e depois estarão de volta aos ensaios.
“No último álbum, acabamos nos distanciando de nós mesmos”, explica Bellamy. “Neste álbum, não queremos nos esquecer da energia que é tocar ao vivo. Não vamos mais nos separar de nossas vidas, com relação a fazer música.

Então essa é a explosão final do Black Holes and Revelations, que abre espaço a um novo começo. Mas não conte com o Bellamy aposentando aquele terno vermelho ainda…

Clique para ampliar1. Matt e Dom tomam uma ótima porção de cocos.
Matt Bellamy: “Essa foto é a gente tomando café da manhã depois de virar a noite após um show em Brasília, Brasil. Para superar a diferença de fuso horário, nós decidimos não dormir. Nós fomos a alguns bares e quando eles fecharam fomos para o quarto de alguém – Ficamos bebendo e falando besteiras. Então nós percebemos que o nosso hotel ficava do outro lado da avenida onde havia uma feira. Essa foto era umas 6:30 da manhã e esses são cocos crus, abertos, daí você bebe a água direto dele. É provavelmente a melhor bebida de café da manhã que você pode tomar, na verdade, cheio de vitaminas. Nós estávamos começando a ‘morgar’ nessa hora, apesar de nosso vôo ser às 9am ou algo assim, então pensamos em simplesmente continuar acordados.”

Clique para ampliar2. Isso é Brasil? Então é hora de um café-da-manhã africano.
“Essa é um pouquinho antes de tomarmos os cocos na primeira foto. São mais coisas de café-da-manhã. A feira era organizada principalmente por pessoas africanas especializadas em comida africana. É da época em que os africanos vieram de Portugal. Havia muitas pessoas tocando músicas em volta e servindo comida caseira. Há vários prédios modernos em volta e um tipo de feira rústica – é uma mistura bem diferente. A comida eram variações diferentes de coco e eles também estavam fazendo caldo de cana – tipo açúcar doce e puro, basicamente.”

Clique para ampliar3. Dom Howard, o rei do Brasil, faz reverencia no Rio.
“Rio foi um show estranho, porque havia milhares de pessoas espremidas no fundo, enquanto na parte de cima havia todas essas pessoas ricas com mesas, fazendo esse jantar. Era como se dois shows diferentes estivessem acontecendo. E há o Dom. Durante toda essa turnê, em todos os shows as pessoas não paravam de jogar coisas no palco e Dom colocou esse chapéu dourado que combinava com sua calça e com as bandeiras. No Rio, nos contaram uma história sobre o Arcade Fire – não sei se é verdade ou não – que eles foram caminhar pelas favelas [guetos brasileiros] porque queriam dar uma olhada e eles foram pegos, tiraram suas roupa e os ensoparam em gasolina. Existe esse medo rolando entre as bandas que vão ao Rio. “Lembre-se do que aconteceu com o Arcade Fire!”. Nós fizemos algumas coisas de turistas por lá. Nós fomos ao Pão de açúcar. Você sobe lá por um ‘bonde’ e no topo você pode pegar um helicóptero que voa em volta de Jesus, tínhamos que fazer isso!”

Clique para ampliar4. Em uma sessão de autógrafos, a banda leva um banho de presentes.
“Todos os fãs pareciam jogar todo o tipo de coisas no palco. Qualquer coisa, como bandeiras…ah não, não há uma aqui…uhm…é, coisas como ursinhos de pelúcia e chapéus estranhos. Estou usando um chapéu de palha com um brinquedinho nessa foto em uma sessão de autógrafos. Esse é um chapéu camponês daqueles que os fazendeiros usam, eu o usei no show daquela noite.”

Clique para ampliar5. Estilo dos ricos e famosos.
“Essa na verdade foi em um jato particular – não temos o hábito de usar jatos particulares. Fomos avisados que a NME estava procurando uma foto para a capa, então todas as fotos são naturais, menos essa em que posamos. Isso foi o melhor que conseguimos fazer!”

Clique para ampliar6. Esqueçam os Beatles, MuseMania chega ao Chile.
Só fizemos uma sessão de autógrafos na América do Sul, que foi no Chile, e foi um alvoroço. Várias pessoas apareceram, não foi como o “Spinal Tap”. Foi por isso que muitas pessoas não conseguiram entrar! A loja de discos nos incentivou a ir até lá e acenar. Ficamos um pouco envergonhados de ir e acenar para os fãs, meio que como o Queen, mas o Dom ‘tirou de letra’. Foi um momento bem Beatles, sério. É muito “comovente ser tratado desta forma quando você nunca foi a algum lugar antes.”

Clique para ampliar7. O senhor vai querer speed no seu, er, whiskey?
Era um bar, acho que em Bogotá, Colômbia. Parecia haver essa coisa de “speed” (metanfetamina) rolando. As coisas são um pouco mais flexíveis por lá, se é que você me entende. Eu não experimentei nada, vamos dizer assim. Você teria que perguntar aos caras da banda se eles experimentaram ou não, mas eu não. Não é meu tipo de bebida! As coisas eram no geral muito baratas. Cerveja era tudo mais ou menos 1 dólar. Na Argentina nós nos enchemos de jaquetas de couro, você pode ir lá e eles o medem e o fazem uma jaqueta personalizada. Estávamos tentando fazer aquelas estilo segunda guerra mundial, com a gola fofinha como em “The Great Escape.

Clique para ampliar8. Orgias no camarim? Nah, só chapéus bobos e chocalhos.
“Aqui é um do nós igual um idiota enquanto saímos do palco – um pouquinho de empolgação pós-show. Esse é outro chapéu que foi jogado no palco. Isso é no Rio, obviamente, esse é o chapéu dourado do Dom. Esse é um chocalho na minha mão que Morgan (tecladista do Muse) usa em Supermassive Black Hole – nós começamos a traze-lo em todas as músicas porque parece meio, você sabe, sul-americano.

Clique para ampliar9. Bem vindos ao Brasil: o público usa linguagem de sinais
“Isso é Rio ou São Paulo. Haviam várias mensagens flutuando e muitas coisas sendo jogadas no palco – mais que o normal. Sul americanos são bem notados por seus presentes e recados. Não dá para ver aqui, mas muitas pessoas tinham mensagens para Citizen Erased – nós não tocamos essa música durante um ano, mas tocamos lá. Uma placa diz “Fãs mandam no show” e é verdade também. Nós vendemos por volta de 10 álbuns na América do sul, enquanto que na maioria dos lugares estávamos tocando para umas 10 mil pessoas, então essa é uma afirmação bem comovente por causa dos websites que os fãs administram. Se não fosse pela internet, nós nem estaríamos lá.”

Clique para ampliar10– Alguém poderia chamar a segurança, por favor?
Havia muita segurança na Colômbia, até em nossos quartos de hotel nós tínhamos seguranças armados do lado de fora. Eu imagino que ainda há muita confusão lá, ainda há uma espécie de guerra civil acontecendo por trás do cenário. Do que nos contaram antes de chegarmos lá, estávamos esperando algo bem pior. Nós saímos e fomos a lugares e bares e me pareceu ok. Os moradores pareciam gostar de dizer “esse lugar é legal”. Havia um sentimento de Berlin de 15 anos atrás, aquele sentimento de ter muitos artistas, muitos músicos, e é realmente um bom lugar de se estar.”

Clique para ampliar11. Todos juntos agora: “wah-wah-wahhh”
Na América do sul eles fazem uma coisa em particular que é totalmente diferente de qualquer outro lugar. Eles cantam todos os solos de guitarra e todas as melodias mais alto que qualquer coisa. Eles não cantam tanto as letras, mas cantam as partes de guitarra muito alto. Até mesmo coisas rápidas como a linha de baixo de Hysteria ou a melodia de Knights of Cydonia – vira uma torcida de futebol.

Clique para ampliar12. Tem uma folga, vá para o lado do palco
Eu tenho forçado Dom e Chris a fazer um solo anos 80 meloso para eu poder ter um intervalo. Na metade do show eu saio e vou pro lado do palco e tomo algo. Gosto de vê-los se esforçando, sendo obrigados a fazerem um solo. Dom realmente odeia!”

Clique para ampliar13. Minha bunda fica grande nessa bandeira colombiana?
O público continua jogando bandeiras – simplesmente parece que a coisa certa a se fazer é se enrolar nelas. Ou pelo menos coloca-las no bumbo, isso sempre os anima! Estávamos na Colômnbia no dia da Independência. O público tinha as caras todas pintadas. Aquele foi um dia muito patriótico. Naquela noite nós saímos, e não havia nenhum bar aberto e nós acabamos nesse lugar que era como um corredor de escola, não era um bar comum, mas simplesmente um corredor de escola com algumas mesas cheias de bebidas. Então acabamos nos envolvendo com a noite tradicional do dia da Independência, o que foi bacana. Foi uma “noitada” completamente diferente das que você vê em Londres.

Clique para ampliar14. Ataque artístico!
Nós ganhamos várias fotos e desenhos. Essa é um desenho de mim com cabelo vermelho. Não sei direito o que fazer com eles. Fico meio constrangido de pendura-los em casa, mas é rude demais joga-los fora. Então você acaba ficando com eles. No meu sótão em casa eu tenho cerca de 30 ou 40 retratos de mim. O que é algo muito bizarro. Vou colocar esse lá, junto com a pintura perturbadora em óleo de mim pelado com um corvo no ombro. A russa, essa é a lendária, é a que mais nos assustou.

Clique para ampliar15. Matt aprecia seu vinho tinto vermelho
Essa é uma taça de vinho tinto, que é a primeira coisa que eu bebo quando saio do palco. Vinho tinto é o único álcool que eu bebo no palco também; Eu normalmente não bebo no palco, só água. Fizemos alguns shows no começo e foi o único que achei que não me secava. Parece lubrificar as coisas muito bem.

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