ARTIGOS > NME – Matt sobre Hendrix (10/2009)
Jimi Hendrix: O guitarrista mais inovador que já existiu, morreu em circunstâncias misteriosas no dia 18 de setembro de 1970, em Londres – e 39 anos depois, os heróis de hoje ainda se ajoelham diante dele.
“Eu comecei a ficar animado com guitarras quando tinha mais ou menos 12 anos. Naquela época, eu não gostava mesmo de música pesada. Eu gostava do tipo de coisa que meu pai toca – tipo Dick Dale. Mas então eu vi um vídeo do Jimmy Hendrix tocando seu set no famoso Monterey Pop Festival de 1967. Mais que as músicas, o que mudou a minha vida foi a liberdade, a expressão que ele incorporou em sua apresentação. Havia uma sensação de perigo iminente, que foi concretizado assim que ele quebrou a guitarra no chão e a incendiou. Logo após, eu comecei a tentar incorporar isso na forma em que tocava minha guitarra. Para mim, Hendrix não é necessariamente só melodia ou acordes, mas sim a energia que ele coloca nisso, a forma em que sua personalidade psicodélica, louca e ligeiramente drogada se derrama sobre o que ele está tocando. Ele tem tanto domínio de seu instrumento que você chega a esquecer que ele está, de fato, tocando um instrumento. Ele foi um pioneiro em usar o estúdio como um instrumento – conseguindo tirar sons diferentes até que o ambiente se transformasse em uma outra extensão de sua criatividade. Na verdade, nós gravamos parte do ‘Black Holes and Revelations’ no estúdio Electric Ladyland. O design do lugar é muito diferente; eles não mudaram desde que Hendrix o construiu, mas ainda parece bem futurístico. Foi interessante, porque as pessoas pensam em Hendrix como alguém bem “blues”, eles, na verdade, não pensam em espaço. Ele foi uma das primeiras pessoas a construir seu próprio estúdio, em parte porque as despesas de seu álbum anterior foram tão astronômicas, por conta de seu intenso perfeccionismo; ‘Gyspsy Eyes’, por exemplo, foi regravada 43 vezes. Eu consigo me identificar com esse tipo de perfeccionismo. Não consigo imaginar que tipos de sons ele seria capaz de produzir um estúdio moderno.”
