ARTIGOS > Concertlive entrevista Chris (07/2009)
Muse: “Permanecer humilde diante ao U2 e aprender com eles.”
Algumas semanas antes do lançamento da “The Resistance Tour”, o baixista e backingvocal do Muse, Christopher Wolstenholme, revela ao Concertlive.fr o que está por detrás do álbum, “The Resistance”, e os detalhes da turnê a vir (incluindo a abertura nos shows do U2):
Concertlive.fr: Esse novo álbum foi produzido “em casa”. Isso muda algo?
Christopher Wolstenholme (Muse): Nós gravamos (o álbum) no estúdio que o Matthew (Bellamy) instalou na sua casa na Itália, perto do Lago de Como. Fazia bastante tempo que queríamos nosso próprio estúdio. Para a gravação do álbum anterior, no sul da França, fomos pressionados por causa do tempo – o resultado foi que nós terminamos por gravar a maioria das músicas em Nova Iorque. Nós tínhamos umas seis versões diferentes de algumas músicas e não sabíamos quais escolher… Desta vez, trabalhamos em sequências de, no máximo, 10 dias seguidos e então descansávamos em casa por uma semana. Isso nos permitiu um olhar mais frio sobre o álbum que estávamos fazendo. O fato de trabalhar sem produtor também nos libertou. Nós fizemos a música como no início, para nós mesmos.
Concertlive.fr: O álbum é bastante variado quanto aos temas, mas o título “The Resistance” é bastante provocador. A quê vocês estão resistindo?
Christopher Wolstenholme (Muse): A letra da música “The Resistance” não tem, de fato, sentido político; “Uprising” fala muito mais desse assunto. Na verdade, é bem inquietante ver que a menor voz que se levanta contra o poder/governo atual é impedida de se manifestar. Recentemente um homem foi espancado até a morte pelos policiais de Londres durante uma manifestação. Um cara foi morto por fazer uma manifestação… Resistir a isso já é dar uma voz às pessoas.
Concertlive.fr: Vocês têm trinta datas de shows na Europa de outubro a dezembro, sendo sete na França e seis na Inglaterra… Seria a França seu país favorito para as turnês?
Christopher Wolstenholme (Muse): Na verdade, é. Nosso primeiro show de verdade, antes mesmo do lançamento do Showbiz, foi numa pequena sala em Paris. As pessoas estavam enlouquecidas e pulavam por todos os lados. Na Inglaterra, tivemos de passar por muito mais desafios. Aqui, nós éramos tratados como estrelas desde o início. Sempre há um clima particular aqui na França, mas não sei porque o público é tão receptivo em relação à nossa música. É ótimo quando as pessoas enviam tanta energia de volta ao palco.
Concertlive.fr: Vocês já têm dois álbuns ao vivo, já receberam muitos prêmios por seus shows… Vocês acham que o Muse é uma banda de palco (de se apresentar ao vivo)?
Christopher Wolstenholme (Muse): Quando começamos uma música, a intenção é tocá-la ao vivo. Claro que, quando estamos em fase de composição, não pensamos sobre isso; nós fazemos a melhor música que podemos fazer e pensamos na questão de tocá-la em público depois. Mas, quando eu tinha 13 anos, eu via aqueles caras no palco e queria fazer o mesmo. É emocionante quando você sobe no palco: as pessoas te aclamam. Nada mal para se começar seu dia de trabalho, né?
: Concertlive.fr: Vocês farão uma turnê nesse verão junto com o U2 nos Estados Unidos. O que vocês acham disso?
Christopher Wolstenholme (Muse): Com certeza, nós não temos motivos para fazer aberturas, poderíamos fazer shows solos sem problema. Mas o U2, ame-os ou não, é lenda. No palco, são uma banda imensa, com certeza uma das melhores. Então vamos nos aproveitar dessa experiência para aprender com eles. Vamos ser humildes e dividir esse momento com eles.
Concertlive.fr: O que devemos esperar para a turnê “The Resistance”?
Christopher Wolstenholme (Muse): Ainda estamos no momento de planejar a turnê. Nós só sabemos que queremos fugir dos clichés que vemos no palco. Começamos a ver os planos e pensar em soluções, mas não posso falar muito por uma simples razão: tudo ainda pode mudar.
Concertlive.fr: Você se lembra do seu primeiro show?
Christopher Wolstenholme (Muse): Meu primeiro mesmo? Até antes do Muse? Nós estávamos na escola e foi no grêmio estudantil. Matt e Dom eram de uma outra banda e a minha banda fazia covers. Nós tocamos Aerosmith, Nirvana e “Should I Stay Or Should I Go” do The Clash, entre outras. Tenho curiosidade de ouvir as bandas desse show novamente… Não deve ter sido terrível, mas virou uma boa lembrança.
Concertlive.fr: E depois vocês viraram “Doutores em Arte”? (todo o grupo foi promovido à ordem “honoris causa”)
Christopher Wolstenholme (Muse): Sim, nós arrastamos um pouco os pés na procura desse diploma. Havia todos aqueles estudantes que trabalharam durante anos por esse título. Para nós ele foi dado. Foi um pouco embaraçoso. No entanto, é muito lisonjeiro ser reconhecido dessa maneira por seu trabalho como músico em seu próprio país. Mas eu não me chamaria de “Doutor”. Não é algo que eu colocaria na minha carteira de motorista…
Concertlive.fr: O que você acha sobre a internet como um meio de divulgar sua música?
Christopher Wolstenholme (Muse): Para uma banda nova, é um meio de se fazer ser ouvido. Mas ainda há tantas outras bandas que é difícil se destacar. E, depois, há de tudo na internet. Eu não acho que as pessoas tenham tempo de ouvir para escolher. É impossível. Para as bandas mais famosas, é uma outra conversa. Existe muita gente que reluta em lançar singles pela internet, por exemplo. Na verdade, todo mundo fala disso, mas ninguém o faz. Nós vimos o que acontecia quando o disco (LP) começou; as pessoas baixam músicas como compravam um disco de 45 rotações. Nós adoramos fazer álbum com coerência, mas eu consigo entender alguém que não tem vontade de comprar um álbum completo porque só gostou de uma ou duas músicas. Pessoalmente, amo os CDs com seus encartes e caixinhas, mas, sim, eu consigo entender que nem todo mundo seja tão ligado a um objeto.
